sábado, 4 de julho de 2026

RETORNO À VIDA SELVAGEM

Uma Copa não é um espaço onde se premia o melhor, o mais inteligente, o favorito.

Há o imponderável.

Tal qual a existência humana.

Chorar nos separa de outras espécies, até nos engrandece, mas não tranquiliza ninguém diante de uma disputa de pênaltis, onde o que está em jogo são as glórias do sentimento nacional.

Assistir a uma equipe sufocada por emoções, algumas em desespero, inclusive o goleiro, sobre quem recai o ônus fatal, é alguma coisa que leva a um estado de quase pânico.

Esses atletas se tornam milionários, não raro de origem excluída, ganham fortunas, são celebridades, mas em suas vidas pessoais são incapazes de comprar um pirulito da esquina.

Carentes, e não menos de experiência de mundo, cedo deixam suas casas, vida familiar praticamente nula, e têm assessor até para escolher fio dental.

Há ainda as belas mulheres, jamais sonhadas, que se derramam à sua passagem.

Ah, mundo, ah, destino, ah os desígnios de Deus, assim imaginam, evangélicos ou não, o que não é o caso dos europeus.

Como não se desmanchar diante de uma decisão de tamanho peso?

Existe algo mais imprevisível, imponderável que um pênalti?

No fim, se ganha por uma generosa bola na trave ou se perde por um chute onde é isolada.

Na fria matemática do jogo, pouco importa que se ganhe por 7 a 1, ou por uma bola no travessão.

Uma alma de direita, fascista, estreita, pode argumentar; o que esperar de uma atividade onde não se pode recorrer às mãos?

O que nos separou dos outros primatas, lá atrás, foram o nosso polegar e o indicador. 

No futebol, essa fantástica evolução foi desprezada, não conta.

O futebol, portanto, nos devolve a um passado que se perde no começo dos começos, na escura noite dos tempos, nos retorna à vida selvagem.

Nele, visíveis são o esotéricos, as mandingas, as crenças ancestrais.

O que dizer? 

São ídolos com os pés de barro, são farsas?

Não.

São demasiadamente humanos.

E, na aventura da existência, a vida não perdoa que se queimem etapas, em nenhuma espécie. 

Diante de tanta dor e angústias, os que se despedem, vivem instantes de perda absoluta, a estupidez da tragédia. 

Os que ficam, a expectativa da glória, a imortalidade histórica, dizem os açodados fanáticos comentaristas, tolos e primários não poucos.

Merecem uma série da Netflix.

Com a mesma voracidade com que celebram a genialidade de atletas e técnicos antes do jogo, feito o apito afinal, havendo derrota, viram pernas de pau.

Portanto, nos ajudem os filósofos, os estudiosos da indecifrável alma humana.

(Edilson Martins)

 

quarta-feira, 20 de maio de 2026

Mascote

 

A mascote gerada pela IA é mais apropriada. A oficial tem mais a ver com o futebol europeu ou com o governo passado.



terça-feira, 8 de julho de 2025

DE CRÁPULA A HERÓI (EDILSON MARTINS)


Chorar nos separa de outras espécies, até nos eleva, mas não tranquiliza ninguém numa Copa, onde o que está em jogo são as glórias da pátria. No caso agora, dos clubes. Os que perdem, vão deixando suas lágrimas na grama quente dos campos. Assistir a uma equipe afogando-se em emoções, inclusive o técnico, sobre quem recai o maior desafio, é sempre alguma coisa que quase leva ao desespero. Uma Copa, ou um jogo, não é um espaço onde se premia o melhor, o mérito, a razão, a técnica, o mais ético, tão pouco o favorito. Igualzinho a vida. Há a ausência de lógica, o imponderável. Estado emocional da equipe, um ou mais jogadores alterados, desequilibrantes, erros de arbitragens, torcida, e lances inimagináveis, tudo isso conta, quando não decide o resultado. No capítulo das emoções, os exemplos são robustos. Esses atletas, não raro de origem excluída, ganham fortunas, são celebridades, mas na esfera pessoal a maioria é incapaz de comprar um pirulito na esquina. Não, não estamos falando de Neymar. Carentes, e não menos de experiência de vida, cedo deixam suas casas, universo familiar praticamente nulo, adentram num ninho de cobras, e têm assessor até para escolher a escova de dentes. Na fria matemática do jogo, pouco importa que se ganhe por 3 a zero, ou por uma bola no travessão. Uma alma do contra, e não são poucas, pode argumentar; o que esperar de uma atividade onde não se pode recorrer às mãos? O que nos separou dos outros primatas, lá atrás, foram o nosso polegar e o indicador. No futebol, essa fantástica evolução não vale. O futebol só permite os pés, portanto nos devolve a um passado que se perde no começo dos começos, na escura noite dos tempos. Nos devolve ao imponderável. Hércules, o ex-menino pobre do Piauí, tudo indica que será sequestrado pelas ligas milionárias, que ele sequer imagina o que sejam, vamos supor. Já Renato Portaluppi, o técnico, o bolsonarista, que vive os melhores tempos de sua egolatria, pode emergir de herói a vilão. Ou de crápula a herói. Futebol é a reprodução fiel da imponderabilidade da vida. Um espírito mais metido pode até dizer que o futebol - assim como outros esportes, movido loucamente por paixões - só xiste para evitar os conflitos internos, ou mesmo as guerras Civis. Já que a política busca evitar as guerras globais. https://linktr.ee/edilsonmartins

segunda-feira, 5 de agosto de 2024

Nunca foi “fumaça de gol*”...

Em meio à geração com mais acesso ao "vídeo game" a gente viu desaparecerem, aos poucos, os atletas que atuavam nos campinhos, os próprios campinhos, que passaram a virar terrenos baldios, onde se jogavam todo tipo de lixo e muitos, também, foram invadidos para a construção de moradias, de forma a diminuírem bastante as competições entre equipes amadoras pelos motivos já mencionados e por causa da violência urbana que foi aumentando, pela criação dos espaços fechados, os quais cobram mensalidades e, talvez, pela desilusão com a possibilidade de se tornar profissional, mas as histórias permanecem e quero relembrar aqui o "Fumaça", pior jogador de futebol que eu já vi atuar nas peladas e torneios valendo premiações!

O atleta era o último a ser escolhido e às vezes nem escolhido era, mas permitiam que ele fosse o um a mais num dos times a fim de não ficar de fora, pois era muito querido!
Suas falhas nas tentativas de jogadas eram absurdas, ele não tinha a menor intimidade com a bola e rendia muitas gargalhadas na torcida que se avolumava quando o viam em campo e ele, por sua vez, parecia não encarar como zombaria e ria de si mesmo juntamente com a galera!
Nos momentos em que geral, jogadores e torcedores, se reunia para a feijoada ou churrascão no final dos torneios, ele entrava nas rodas de resenha, contava orgulhoso suas jogadas que só ele tinha visto ou sua mente tinha imaginado e até que era bom pagodeiro, o Fumaça!
Por algum desses fatores que a gente nunca sabe qual foi o culminante, o Fumaça, do qual nunca cheguei a conhecer algum parente, foi visto em situação de rua e, mais recentemente, alguém teve a infeliz ideia de, durante a noite, tocar fogo em montes de papelão que ficavam entulhados num galpão em ruínas e, infelizmente, o nosso personagem teve sua história encerrada em meio às chamas.
Alguém teria dito, em meio à uma resenha sem graça, que o Fumaça havia decidido aspirar fumaça de Crack, já que não se tornara o craque que sonhara ser e acabou se finando em meio à fumaça do criminoso incêndio...
*Como se referia o saudoso narrador Waldir Amaral, quando surgia oportunidade de gol para algum time em meio à partida.

sexta-feira, 2 de agosto de 2024

Crônica poema de Edu Planchêz

 

arrancava a cabeça do dedão

e sangrando continuava a infinita louca pelada,

o racha alucinante…

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Quiséra ser eu um Nelson Rodrigues

para conseguir estancar no tempo,

em algum lugar do tempo,

algo como uma profecia,

um chamado, um grito azul,

um grito avermelhado,

um grito sem cor

e com todas as cores de um gol,

de um quase gol, de um gol que tive

vontade de fazer e nunca fiz.

Acho ou compreendo na minha inocencia,

que todo garoto ou garota...

adoraria ser um craque de futebol,

jogando na lama, num campinho rala coco

livre de qualquer espécie de grama,

sozinho ou com um monte de “neguinho”

bicando suas pernas,

grudando em seus ombros,

para comemorar o gol

ou para evitar que as redes imaginárias fossem vazadas,

pois os campinhos de futebol que conheci

pelas ruas e terrenos baldios

do intenso suburbio

tinham traves que eram feitas de qualquer coisa:

um par de chinelos, pedras, latas,

paus amarrados com arames, barbante,

cordinhas de sisal e até mesmo de cipó, ou...

Na tarde aloprada do domingo suburbano,

o sol castiga o campo de terra batida

pisada pelos bichos das relvas...

As traves de bambu verde rachado,

amarradas com sei lá com o que,

e a bola de capotão, de plástico, de meia já gasta,

mostrava as cicatrizes de tantas acirradas disputas.

Eu o Mané da Pelota,

como eu era chamado,

ajeitava a chuteira velha rasgada

enquanto observava os parças do time-catado

bebericando umas brejas entre papos,

gozações e piadas...

Cada ruga em meu rosto contava

uma resenha vivida, cada cicatriz uma partida.

Ali, na várzea eu e os outros com camisas e sem camisas

não éramos apenas mais uns jogadores;

eramos heróis sem nomes,

guardiões dos sonhos de muitos que como nós,

acreditavam no feitiço do futebol,

na malicia do gingar,

de bater na gorduchinha com o peito pé…

No Terrão correu Bruno Henrique e Michael,

Perácio, Quarentinha,

Zizinho, Ademir da Guia, Rodrigues Neto, Nelinho, Zico,

Samarone e Rivelino,

correu e corre eu e você...

“Olho no lance! Pelo Amor dos meus Fihinhos!

Pelas barbas do profeta!"

( Berrava Silvio Luiz )

Radinho de pilha ligado (“Mário Viana!” “Gol Legal!”),

a rua de paralelepípedos era o estádio,

a gente encarava a pelada descalço,

chutava a bola, chutava o vento, chutava o chão,

arrancava a cabeça do dedão

e sangrando continuava a infinita louca pelada,

o racha alucinante…

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ANTONIO EDUARDO PLANCHÊZ DE CARVALHO


segunda-feira, 30 de outubro de 2023

FOOTBALL OU FUTEBOL? TANTO FAZ...

(Por Luiz Carlos de Farias Franca) 

Há muito tempo que eu deixei de gostar de football, eu gostava do tempo do "futebol arte", daquele espetáculo coletivo, daquele toque de bola espetacular que existia no futebol brasileiro; lembro do show que o Caréca dava em campo e de tantos outros jogadores mais. Depois que o Brasil adotou o modelo europeu de jogar, assim...sem jogo de cintura, com lançamentos longos e bolas altas, pouca marcação e medo de driblar...essa coisa de salários exorbitantes e muitos mercenários no comando da categoria ,em todo o país e no planeta...eu falei a mim mesmo: não tem nada a ver perder tempo dando atenção pra uma atividade que dá mais sono que animação. Mas assisti a alguns jogos,assim...meio pela metade, da Copa Sul Americana de footbaal...e comecei a gostar muito do futebol que o time Cearense, o Fortaleza ,apresentou, e hoje assisti à final dessa Copa, Fortaleza X LDU, um time muito bom, do Equador, apenas muito bom, porque o Fortaleza foi ótimo, e deu um show, um show no toque de bola, jogadores fortes e rápidos...em nenhum momento senti sono e tédio, foi um jogaço; apesar do LDU bater muito, e não deixar o Fortaleza mostrar ainda mais o seu ótimo futebol, foi um dos melhores jogos que assisti, senão o melhor, dentro desses quinze anos, ou mais, de tédio no fotebol brasileiro. Enfim, teve prorrogação e no final,os pênaltis...o goleiro do Fortaleza pega o primeiro, e o time estava com cara de campeão...mas mesmo defendendo dois, o Fortaleza perde a Copa Sul Americana de Footbaal para o LDU, não fiquei triste...os caras perderam com cara de campeões, e foram aplaudidos pela sua forte torcida. Eu não tenho,e nunca tive nenhuma informação sobre esse time; se a torcida dele é burguêsa ou é popular...se são mais de direita ou de esquerda, sinceramente, não sei mesmo, nem da origem , da sua história...eu apenas comecei a segui-lo, pela a excelente qualidade que percebi...talvez eu tenha percebido neles,uma mistura de anos sessenta, setenta e oitenta...a boa época do nosso futebol. Não fiquei triste pela sua derrota, porque foi um belo jogo...e era evidente, desde o inicio, a superioridade técnica do time Cearense. Nunca pensei que um dia, eu iria abrir espaço, aqui na minha página, que é exclusiva para assuntos de Arte, Cultura e Meio Ambiente, para comentar a final de um jogo de futebol entre dois times sul americanos...um time Nordestino brasileiro X um time Equatoriano. Será se foi o eclipse lunar, que me influenciou? Acho que não, o Fortaleza é bom mesmo!






segunda-feira, 26 de junho de 2023

O QUARTO ESTÁDIO

Em um futuro não muito distante está havendo uma reunião extraordinária da Assembleia das Corporações. O assunto é o mesmo que há tempos vem sendo discutido envolvendo a Grande Arena, o quarto estádio. Para você que está chegando agora, vou contar do que se trata:

Os jogos de futebol passaram a acontecer em três estádios. No estádio principal ocorre o jogo; cada um dos outros dois, chamados popularmente de halfies (Half de mando e Half visitante) é ocupado com as torcidas que assistem por hologramas ao jogo e à torcida adversária criando virtualmente o ambiente inerente ao desporto.  

E o quarto estádio? 

É o local apropriado para o encontro dos torcedores. Foi criado depois que todo e qualquer distúrbio ou barulho passou a ser severamente punido fazendo com que a um simples grito de gol em local público seja aplicada uma coima volumosa. Trata-se do maior dos quatro estádios e é gerido por meios próprios. Tem por baixo das enormes arquibancadas toda uma estrutura para que não se precise lançar mão do erário corporativo para nenhum gasto. Tem pronto socorro; hospital com UTI e enfermaria, fisioterapia, acompanhamento psicológico; seguradora; farmácia e serviços funerários.  Ganhou o nome de Grande Arena, bem mais apropriado tendo em vista que o seu piso é revestido com areia para que se torne mais fácil a limpeza ao final de cada encontro.

E o que quer a Assembleia?

Reuniu-se para votar a autorização para as teletransmissões dos encontros da Grande Arena.