segunda-feira, 6 de julho de 2026
A CRIAÇÃO DE UM POVO
sábado, 4 de julho de 2026
RETORNO À VIDA SELVAGEM
Uma Copa não é um espaço onde se premia o melhor, o mais inteligente, o favorito.
Há o imponderável.
Tal qual a existência humana.
Chorar nos separa de outras espécies, até nos engrandece, mas não tranquiliza ninguém diante de uma disputa de pênaltis, onde o que está em jogo são as glórias do sentimento nacional.
Assistir a uma equipe sufocada por emoções, algumas em desespero, inclusive o goleiro, sobre quem recai o ônus fatal, é alguma coisa que leva a um estado de quase pânico.
Esses atletas se tornam milionários, não raro de origem excluída, ganham fortunas, são celebridades, mas em suas vidas pessoais são incapazes de comprar um pirulito da esquina.
Carentes, e não menos de experiência de mundo, cedo deixam suas casas, vida familiar praticamente nula, e têm assessor até para escolher fio dental.
Há ainda as belas mulheres, jamais sonhadas, que se derramam à sua passagem.
Ah, mundo, ah, destino, ah os desígnios de Deus, assim imaginam, evangélicos ou não, o que não é o caso dos europeus.
Como não se desmanchar diante de uma decisão de tamanho peso?
Existe algo mais imprevisível, imponderável que um pênalti?
No fim, se ganha por
uma generosa bola na trave ou se perde por um chute onde é isolada.
Na fria matemática do jogo, pouco importa que se ganhe por 7 a 1, ou por uma bola no travessão.
Uma alma de direita, fascista, estreita, pode argumentar; o que esperar de uma atividade onde não se pode recorrer às mãos?
O que nos separou dos outros primatas, lá atrás, foram o nosso polegar e o indicador.
No futebol, essa
fantástica evolução foi desprezada, não conta.
O futebol, portanto, nos devolve a um passado que se perde no começo dos começos, na escura noite dos tempos, nos retorna à vida selvagem.
Nele, visíveis são o esotéricos, as mandingas, as crenças ancestrais.
O que dizer?
São ídolos com os pés de barro, são farsas?
Não.
São demasiadamente humanos.
E, na aventura da existência, a vida não perdoa que se queimem etapas, em nenhuma espécie.
Diante de tanta dor e angústias, os que se despedem, vivem instantes de perda absoluta, a estupidez da tragédia.
Os que ficam, a expectativa da glória, a imortalidade histórica, dizem os açodados fanáticos comentaristas, tolos e primários não poucos.
Merecem uma série da Netflix.
Com a mesma voracidade com que celebram a genialidade de atletas e técnicos antes do jogo, feito o apito afinal, havendo derrota, viram pernas de pau.
Portanto, nos ajudem os
filósofos, os estudiosos da indecifrável alma humana.
(Edilson Martins)
quarta-feira, 20 de maio de 2026
Mascote
terça-feira, 8 de julho de 2025
DE CRÁPULA A HERÓI (EDILSON MARTINS)
segunda-feira, 5 de agosto de 2024
Nunca foi “fumaça de gol*”...
Em meio à geração com mais acesso ao "vídeo game" a gente viu desaparecerem, aos poucos, os atletas que atuavam nos campinhos, os próprios campinhos, que passaram a virar terrenos baldios, onde se jogavam todo tipo de lixo e muitos, também, foram invadidos para a construção de moradias, de forma a diminuírem bastante as competições entre equipes amadoras pelos motivos já mencionados e por causa da violência urbana que foi aumentando, pela criação dos espaços fechados, os quais cobram mensalidades e, talvez, pela desilusão com a possibilidade de se tornar profissional, mas as histórias permanecem e quero relembrar aqui o "Fumaça", pior jogador de futebol que eu já vi atuar nas peladas e torneios valendo premiações!
sexta-feira, 2 de agosto de 2024
Crônica poema de Edu Planchêz
arrancava a
cabeça do dedão
e sangrando
continuava a infinita louca pelada,
o racha
alucinante…
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Quiséra ser eu
um Nelson Rodrigues
para conseguir
estancar no tempo,
em algum lugar
do tempo,
algo como uma
profecia,
um chamado, um
grito azul,
um grito
avermelhado,
um grito sem
cor
e com todas as
cores de um gol,
de um quase
gol, de um gol que tive
vontade de
fazer e nunca fiz.
Acho ou
compreendo na minha inocencia,
que todo garoto
ou garota...
adoraria ser um
craque de futebol,
jogando na
lama, num campinho rala coco
livre de
qualquer espécie de grama,
sozinho ou com
um monte de “neguinho”
bicando suas
pernas,
grudando em
seus ombros,
para comemorar
o gol
ou para evitar
que as redes imaginárias fossem vazadas,
pois os
campinhos de futebol que conheci
pelas ruas e
terrenos baldios
do intenso
suburbio
tinham traves
que eram feitas de qualquer coisa:
um par de
chinelos, pedras, latas,
paus amarrados
com arames, barbante,
cordinhas de
sisal e até mesmo de cipó, ou...
Na tarde
aloprada do domingo suburbano,
o sol castiga o
campo de terra batida
pisada pelos
bichos das relvas...
As traves de
bambu verde rachado,
amarradas com
sei lá com o que,
e a bola de
capotão, de plástico, de meia já gasta,
mostrava as
cicatrizes de tantas acirradas disputas.
Eu o Mané da
Pelota,
como eu era
chamado,
ajeitava a
chuteira velha rasgada
enquanto
observava os parças do time-catado
bebericando
umas brejas entre papos,
gozações e
piadas...
Cada ruga em
meu rosto contava
uma resenha
vivida, cada cicatriz uma partida.
Ali, na várzea
eu e os outros com camisas e sem camisas
não éramos
apenas mais uns jogadores;
eramos heróis
sem nomes,
guardiões dos
sonhos de muitos que como nós,
acreditavam no
feitiço do futebol,
na malicia do
gingar,
de bater na
gorduchinha com o peito pé…
No Terrão
correu Bruno Henrique e Michael,
Perácio,
Quarentinha,
Zizinho, Ademir
da Guia, Rodrigues Neto, Nelinho, Zico,
Samarone e
Rivelino,
correu e corre
eu e você...
“Olho no lance!
Pelo Amor dos meus Fihinhos!
Pelas barbas do
profeta!"
( Berrava
Silvio Luiz )
Radinho de
pilha ligado (“Mário Viana!” “Gol Legal!”),
a rua de
paralelepípedos era o estádio,
a gente
encarava a pelada descalço,
chutava a bola,
chutava o vento, chutava o chão,
arrancava a
cabeça do dedão
e sangrando
continuava a infinita louca pelada,
o racha
alucinante…
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ANTONIO EDUARDO
PLANCHÊZ DE CARVALHO




