segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Viva o Rio

Eu vascaíno torceu que se fartou pelo Flu. Não só de arrasto pela Ariane e o João, os filhos tricolores ou pelo mano Felipe, que bancou o churrasco, mas pelo Rio de Janeiro que bem mereceu por tudo que passou este ano. E nenhum clube para melhor representar o Rio já que o traz no próprio nome, ainda que em latim. Pois que rioeiro, rioino ou rioense soam tão mal. Mas os detratantes vão sempre dizer "mas que rio é esse se o Rio não tem rio?! Que foi tudo um engano dos portugueses que achavam que a boca da baía era a foz de um rio que por estarem em janeiro..." Está bem. Cada cidade tem o seu rio. Paris tem o Sena; Cairo, o Nilo; Lisboa, o saudoso Tejo; Rio Branco, o rio Acre; São Paulo, o Tietê... E o Rio? Ah, o Rio hoje tem dois: o Guandú, que nos dá a água de beber e o rio tricolor que corre limpando corações.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Nova história

A Holanda está conquistando a África do Sul. Desta vez com a bola no pé e não com a Bíblia na mão.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Regra do Impedimento

A regra do fora de jogo tal como a conhecemos hoje não existe desde os primórdios do desporto rei. Até porque, nos primeiros desafios de futebol, existiam apenas duas regras. A saber:

Regra 1: O objectivo do jogo é colocar a bola dentro da baliza, marcando golos.

Regra 2: É expressamente proibido que qualquer jogador aproveite as celebrações decorrentes da marcação de um golo para dar largas a tendências sodomitas e colocar as mãos de forma indecorosa sobre partes íntimas do corpo de um colega.

Uma destas regras viria posteriormente a ser abandonada por deliberação do célebre dirigente da FIFA e ex-jogador, o austríaco Rolf “Mariazinha” Pfeiffenberg.

A figura do fora de jogo surgiu apenas após o torneio de futebol dos Jogos Olímpicos de 1924, quando o avançado uruguaio Héctor Scarone passou a maior parte dos desafios sentado na grande área dos adversários numa cadeira de lona, levantando-se apenas quando a bola chegava perto e marcando assim um total de oito golos, valiosos para conquistar a medalha de ouro.

A proeza começou a ser duplicada por avançados de outras equipas e, rapidamente, a FIFA viu-se forçada a tomar medidas para evitar que o futebol se transformasse numa espécie de convívio na relva em que os participantes se levantavam ocasionalmente para pontapear uma bola que passasse por perto.

Nasce assim a regra do fora de jogo. O seu criador foi um delegado americano da FIFA, Jerome Watkins, que resumiu a regra num parágrafo pioneiro: “Jogador que se coloque de forma abusiva à frente da defesa adversária não poderá receber a bola e, se o fizer, deverá ser preso a um dos postes da baliza, despido e açoitado por todos os jogadores contrários, depois de estes lhe urinarem em cima, enquanto o público entoa cânticos místicos.”

Hoje em dia, é universalmente aceite que Watkins era um homenzinho muito estranho e os seus contemporâneos passaram a olhar para ele com desconfiança desde a redacção do parágrafo, remetendo-o para um canto e incumbindo-o de desenvolver um tipo de futebol que pudesse ser jogado na praia. (Watkins viria mesmo a desenvolver um tipo de futebol de praia, mas sem qualquer relação com a variante que hoje se joga por envolver equipas de 800 elementos para cada lado, três elefantes pintados de azul, um coro de tragédia grega e balizas móveis transportadas por eunucos).

A partir deste esboço inicial, depressa se alcançou uma versão da regra limpa de bizarrias e elementos sadomasoquistas, que entrou em vigor de imediato, impedindo para todo o sempre os golos marcados por jogadores oportunistas que passam o jogo “à mama” (para saber o que é uma mama, é favor consultar o Google). Actualmente, após muitas clarificações, o fora de jogo é claramente entendido por todos com excepção de alguns árbitros e fiscais de linha.

Agradecimentos a Nuno Costa

segunda-feira, 22 de março de 2010

Meu ídolo

Até hoje só tive um ídolo. Certo que gostei muito de Tchaikowski e de Herman Hesse. Que era apaixonado pela Liv Ullman e adorava quando a Florinda Bolkan entrava num filme que via. Mas ídolo mesmo, digno deste estatuto, só um. Só o Roberto. Roberto Dinamite.

Muito tempo antes, quando gostava só do Vasco da Gama tivesse ele os jogadores que tivesse, eu treinava ginástica de solo nesse clube. E foi que numa tarde desse tempo, eu seguia num ônibus pela Avenida Presidente Vargas. Ao meu lado, um rapaz magro, alto, olhava com uma simpática timidez para a camiseta de treino dobrada sobre o meu colo exibindo orgulhosamente a Cruz de Malta vascaína (que a verdadeira de Malta é outra). O exibicionista era eu e acredito ser eu o mais carente de um carinho, de um amigo, um companheiro ou duas palavrinhas bastavam naquela altura. Como fiquei contente quando o outro perguntou: Você é atleta do Vasco?Atrapalhei-me com a alegria e demorei um pouco a passar o dedo no relevo bordado das letras que indicavam a categoria. Sou da ginástica. Disse olhando rapidamente mas a tempo de captar um sorriso tímido e sincero vindo mais lá de cima. Ele disse: “Também sou do infanto juvenil do Vasco. Mas do futebol. E você é vascaíno?” É tão bom quando se representa o clube do coração! Desci na Central para apanhar o trem para Braz de Pina. Pouco antes da minha vida destrambelhar ainda dava uma olhadinha no campo, mas os nossos horários de treino eram diferentes. Acabou-se ginástica, escola…

Aí, apareceu o Roberto Dinamite e a estrada teve uma alegria a mais. Uma alegria verdadeira. Tivesse eu umas paredes e elas seriam cobertas com posteres. Tivesse eu assentamento e veria seus jogos, suas entrevistas, correria atrás de autógrafos, essas coisas… Um ídolo só no coração.

Muito tempo depois (eu nunca contei isso pra ninguém) vendo uma foto do Roberto… reconheci aquele sorriso quase tristeza de cima pra baixo.

Hoje, eu já posso contar isso.

JC

Saiba mais sobre a foto

domingo, 21 de março de 2010

sexta-feira, 12 de março de 2010

1/4 de Hino

Hino é hino tenha lá o tamanho que for. O Nacional Brasileiro, por seu tamanho, em determinadas situações, é cantado pela metade, ou seja, só a primeira parte inteira. E que grande trapalhada é uma metade inteira. Ainda mais quando chega a Copa do Mundo de Futebol que, pelo mediatismo e por sua relação com a televisão, em que qualquer segundo é uma pepita, a organização solicita que se toque apenas a metade dos hinos muito longos. O que acontece, e se tem visto nos últimos eventos, é cortarem pelo meio a metade que é destinada a tocar. Ou seja, um quarto é tocado, acabando sem mais nem menos meio a uma frase musical. Isso frustra até o jogador que treinou tanto para não fazer feio nos closes compenetrados dos perfilhados.

Partindo da premissa de que o hino não só pode generalizar a representação de um povo como pode representá-lo em determinadas situações, eu proponho que se utilize uma outra música para hino desportivo (pelo menos no caso do Futebol). Tenho até uma sugestão.

Lembram-se do Canal 100?

Um semanário de actualidades que era projectado antes de cada sessão cinematográfica, cuja última matéria era a reportagem sobre o grande jogo da semana. À cores. Em câmara lenta. Foco nas pernas dos jogadores que bailavam ao som de uma música que ficou no inconsciente colectivo como símbolo do futebol, não só para a geração da Jules Rimet mas também para a desses tempos das marcas patrocinadoras, em que não há mais noticiários nos cinemas e já quase não há mais cinemas.

A música. “Na Cadência do Samba” (Que Bonito É), de Luis Bandeira. Os seus dois títulos só já bastariam para exemplificar esse desporto.

Só haveria vantajens: Não precisaria cortar nenhum pedaço. Já serviria de balanço. Angariar-se-ia mais simpatia no perfilhamento descontraido. Todos trauteariam no estádio, se duvidar, até os rivais. E, por não ter letra, não se correria mais o risco de “pagar um mico” na hora do close.


JC

domingo, 7 de fevereiro de 2010